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Em que momento podemos nos intitular “profissionais”? Será apenas no momento em que nos sustentamos com a música? Acho que não, e darei alguns exemplos que me fazem chegar a esta conclusão.

Me chamam para fazer um determinado trabalho, e eu dou meu preço. Aí, tem outro baterista, erroneamente chamado de “concorrente”, que faz tudo isso por um preço menor, ou até mesmo de graça - porém com qualidade menor - faz isso para entrar no mercado. Onde está o profissionalismo dele? Ou então você quer ser considerado um profissional, mas não é uma pessoa muito pontual, não se cuida muito, é desleixado com seu equipamento e não sabe lidar com as pessoas. Desculpe, mas infelizmente você nunca vai conseguir se formar como profissional.

 Mostre que é uma pessoa de personalidade, demonstre interesse, mas seja sempre respeitador e saiba ouvir o que outros músicos têm a lhe dizer! Existem muitas maneiras de você entrar no mercado sem sucatear sua classe. Se deseja mostrar seu trabalho e não tem como demonstrar sua qualidade, faça contratos de risco. Tente obter uma sessão de estúdio, onde você faz um contrato no qual se o resultado ficar ruim, você paga o estúdio e não cobra nada e eles não usam sua gravação. Mas se o resultado ficar bom, a gig é sua, o cachê está garantido e a produtora paga o estúdio.

Claro que você não vai se arriscar fazer um contrato de risco em que haja grandes chances de você sair perdendo, portanto, faça esta proposta se tem 100% de certeza que pode fazer o trabalho à altura do desejado. Aliás, sempre tenha em mente isso: só faça trabalhos em que você tenha 100% de certeza da sua capacidade. Um trabalho mal feito pode arruinar seu começo de carreira. Acima de tudo, se quer ser um Profissional (com “P” maiúsculo), não deixe que te tratem como um músico qualquer.

Um grande erro é cobrar e aceitar pagamentos, como se isso fosse um favor. ISSO É SEU TRABALHO! Um exemplo prático disso é o que acontece comigo muitas vezes: tenho minhas bandas, vou tocar, e quando entra no assunto “cachê” metade dos produtores acaba dando uma desculpa e caem fora. Pense bem: num show, o produtor vai ganhar dinheiro, o dono do bar vai ganhar dinheiro, o dono do estacionamento ao lado vai ganhar dinheiro, o dono da carrocinha de cachorro-quente em frente vai ganhar dinheiro, a companhia elétrica vai ganhar dinheiro, e só o principal, VOCÊ, que movimentou toda esta gente, não vai ganhar dinheiro? O bar cobra o tão falado couvert artístico, e na hora de pagar a banda, fica com 50% pra ele. Mas ele já não ganha toda a copa? Entendem o “abuso” que nós sofremos?

Ou então, uma história verídica, que aconteceu há cerca de 30 dias comigo: uma banda contratou um dos melhores produtores do Sul do Brasil, com quem já trabalhei e tive o privilégio de fazer uma tour, e que obviamente me indicou para a gravação. Como eu já tive um contato com esta banda anteriormente, e tudo faz parte de um “projeto maior”, eu resolvi dar um preço um pouco abaixo do que costumo cobrar para facilitar as coisas, e também, pensando em colher alguns frutos no futuro. O problema é que quando fui fechar o contrato, e disse o meu valor, o líder da banda me diz: “Pensei em um valor simbólico, como R$200,00”. Eu falei: “Cara, se eu gravar 12 músicas por R$ 200,00, estarei te cobrando R$ 16,67 por música! Isso não vale nem o tempo que eu irei gastar em estúdio, aprendendo e arranjando as baterias, nem o meu suor”.

Não, não acho que eu seja um “superbaterista”, mas convenhamos: se me considero profissional, apresento trabalhos profissionais, sejamos então todos profissionais! Se eu for ao supermercado e pagar um “valor simbólico”, levarei “comida simbólica” para minha mesa também.

Bom, este é um assunto pra muitas e muitas linhas, continuaremos se houver interesse de vocês leitores. Escrevam à vontade para sugestões, críticas, perguntas para o email: renato_drummer@hotmail.com

Renato Siqueira é baterista das bandas It’s All Red (www.myspace.com/itsallredmetalcore), Vespera (www.myspace.com/bandavespera) e Unspeakable (www.myspace.com/thebloodandthestench), é endorsee de baterias Odery, pratos Krest, peles Luen, baquetas Liverpool e racks BMA.