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Este texto foi tirado da introdução de um método do grande mestre John Riley. Embora o livro fale estritamente sobre o ritmo de Jazz, creio que algumas destas valiosas dicas sirvam para o estudo da bateria como um todo.

Para algumas pessoas que estão lendo este livro, tocar jazz deve ser uma experiência relativamente nova, e devem se sentir receosas. Lembra-se quando você aprendeu a andar de bicicleta? Primeiro você se preocupou em manter o equilíbrio; você nem sequer pensou em pedalar. Uma vez ganho o senso de equilíbrio – mas sem dominá-lo ainda – você tentou pedalar. Você ainda nem tinha pensado como iria guiar ou parar! Gradualmente, todas essas coisas vêem com o tempo.

Aquecimento

Tocar com ‘feel’ requer um senso de equilíbrio parecido com o que vimos acima. Espaçar cada nota, de maneira que ela tenha um ‘movimento’ relaxado, leva um bom tempo de prática. Mas isso deve ser dominado, ou nada mais que você toca soará bem, ou fará alguma diferença. O ‘espaçamento’ das notas no padrão da condução deve se tornar como o seu equilíbrio na bicicleta – ele deve estar lá desde o primeiro segundo que você começa a conduzir.

O Fator “Diversão”

A bateria é um instrumento ‘divertido’ de se tocar e você deve realmente se ‘divertir’ quando toca. Entretanto, uma hora ou outra, todo baterista terá um período em que ele tocará o dia todo, todos os dias, por várias semanas, mas não sentirá melhora em seu desempenho. O fato é que se ‘divertir demais’ tocando bateria pode ser um problema, porque requer disciplina parar de tocar (e parar de se divertir) e começar a trabalhar os seus pontos fracos. Quando um baterista toca por horas sem gastar nenhum tempo corrigindo suas fraquezas, eles vai melhorar, mas ele vai melhorar as coisas que já sabe fazer. Para tornar mais efetivo o tempo que você passa na bateria, você deve gastar pelo menos metade do tempo corrigindo suas fraquezas, e o resto tocando as coisas que você mais gosta.

Leitura

Ler música e se tornar um bom leitor, não tira seu ‘feeling’. Imagine que você queira aprender algo sobre a história do mundo mas não sabe ler. Como você aprenderia? Você sempre dependeria de outras pessoas para te passar as informações e teria que ter uma memória excepcional para guardar tudo. Agora suponha que você saiba ler. Você ainda pode aprender através dos outros, mas você também pode ir a uma biblioteca e ler tudo o que você achar sobre história, até mesmo assuntos que seus professores não têm nem idéia que existam. Você também pode usar a leitura para verificar a autenticidade das informações que está recebendo de outras pessoas.

Por Onde Começar

Como você descobre o que deve praticar? Escutando discos e assistindo a shows ao vivo, tocando com diferentes músicos e lendo livros de bateria. Faça um inventário da sua performance e musicalidade. Faça uma lista de seus pontos fortes como músico e esteja ciente das coisas que você faz bem. Faça uma segunda lista com seus pontos fracos e se comprometa a praticar mais para o desenvolvimento destas áreas. Procure dividir seus pontos fracos em vários grupos. O grupo 1 deve consistir nas coisas em que você levará apenas alguns dias para dominar. O grupo 2 deve consistir nas coisas que levarão cerca de um mês para dominar. O grupo 3 nas coisas que levarão cerca de um ano para serem dominadas e o grupo 4 são aqueles assuntos de longo prazo – são os objetivos de vida.

Olhe para a sua lista de pontos fortes e fracos todos os dias. Tenha conhecimento do que você faz bem, mas trabalhe todo dia para diminuir seus pontos fracos. Na verdade, antes de sentar-se para praticar, tenha um plano mental ou, melhor ainda, escreva o que você pretende obter com aquela prática. Lembre-se de que você tem que se ‘divertir’ se deseja obter algo de positivo com a prática. Gravar sua prática, seus ensaios e seus shows é extremamente importante porque assim você terá uma melhor referência de seus pontos fortes e fracos.

Traçando Objetivos

O objetivo de ser o melhor que você possa ser é admirável, mas provavelmente não é o bastante para te levar onde você quer chegar. Você deve conhecer a si mesmo; seus desejos, suas limitações e traçar um plano, passo a passo em busca do seu objetivo.

Competição

As pessoas são competitivas por natureza. Enquanto certos aspectos do mundo dos negócios envolvendo a música são competitivos, o ato de tocar não é uma competição. Ainda assim, as pessoas gostam de comparar a maneira como elas tocam, e seu nível de sucesso, com as outras pessoas. Sabendo em que ponto você está pode ser um processo de estimulação e motivação. O conhecimento de que outras pessoas trabalharam duro para se tornar músicos de alto nível pode nos encorajar a trabalharmos duro e sermos mais sérios. Infelizmente, algumas pessoas tornam-se desanimadas e frustradas quando descobrem que não tocam como queriam ou quando conhecem alguém mais jovem que toca ‘melhor’ do que eles.

Tonny Williams, nasceu em 1945, apareceu no cenário musical em 1963. Com a idade de 17, ele estava tocando com Miles Davis. Steve Gadd, também nasceu em 1945, começou a aparecer no cenário musical em 1975, aos 30 anos de idade. Imagine como o cenário musical mundial seria diferente se o jovem Steve Gadd ficasse frustrado ao comparar-se com Tony em 1964 e parasse de tocar. Ambos são grandes músicos que influenciaram gerações. Cada um se desenvolve no seu próprio ritmo. Elvin Jones fez sua primeira gravação aos 29 anos. Art Blakey começou a liderar a Jazz Messengers aos 37 anos. Lembre-se, música é caminhada para uma vida inteira, e um resultado significativo leva tempo.

Inspiração

Um tipo de prática que não pode ser dispensado é o de ouvir gravações e assistir a shows ao vivo. Ver a apresentação de um mestre é uma experiência inestimável que ajudará você a sentir e compreender melhor a música, além de oferecer uma boa dose de motivação.