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Foto: Rafael Sapebe
Quando o Rodrigo apareceu na Artemúsica para estudar bateria comigo, há quase um ano atrás, de cara (nos dois sentidos) eu não o havia reconhecido. Fiquei surpreso quando, durante a nossa conversa inicial, disse-me que era o Rodrigo Barba, baterista do grupo Los Hermanos.

De lá para cá, posso dizer que poucos alunos tão dedicados eu tive como ele, o que tem me deixado bastante motivado a cada aula.

Há pouco tempo combinamos de fazer esta entrevista. Marcamos um almoço num restaurante na Barra e conversamos sobre o que andou fazendo, sobre o que anda fazendo e sobre o que pretende ainda fazer.

Sérgio - O Los Hermanos estão de férias, mas vocês estão para lançar um CD e DVD gravados na Fundição. Fale um pouco deste show.

Barba - Eu gostei muito da idéia, pois sempre fui a favor da gravação feita ao vivo, de musicas inéditas e de shows. Pra mim é a melhor maneira de ver e escutar música.

Os três shows foram bem ímpares, não só por terem sido três, mas por terem sido shows realizados depois de 6 meses do último show da turnê do “4”. Foi filmado pela equipe do Nilson Primitivo e o áudio foi gravado e mixado pelo Daniel Carvalho.

Fiquei muito feliz com os registros, ficou tudo bastante fiel ao que fazíamos ao vivo e era isso que eu mais procurava.

Como estávamos há seis meses sem fazer shows e como sabia que seriam apresentações com sets longos, me propus a fazer uma preparação em casa. Estávamos sem aquele pique de turnê e essa preparação foi fundamental para que na hora desse tudo certo.

Sérgio - Tem, também, o CD do Latuya, grupo do qual você fez parte até pouco tempo. Como foi o trabalho com eles?

Barba - Com o Flavio eu tenho uma relação antiga, nos conhecemos desde a pré-adolescência, época que nem tocava ainda. Comecei a tocar com ele, na garagem e no quarto de casa. Me sinto fazendo parte do Latuya desde então. Nessa última participação gravamos o que vai ser o próximo disco da banda, ainda sem data de lançamento, mas eles têm colocado as músicas no Myspace.  www.myspace.com/bandalatuya.

Sérgio - Atualmente você está tocando no Canastra. O que o grupo tem de diferente dos seus trabalhos anteriores? Você falou que, pela primeira vez, você teve que tirar músicas. Como está sendo esta experiência?

Barba - Na verdade passei por isso seis meses antes, quando fiz uns shows com a banda Jason pelo nordeste, mas no Canastra tem sido a primeira experiência de entrar no meio de uma história e acompanhar o ritmo da galera. Tem sido muito bom, já conhecia a banda, gostava da proposta e acompanhava os shows. O mais difícil foi tirar os arranjos do Marcelo Callado de quem sou muito fã. Mas a banda gosta muito de ensaiar, o que me facilitou bastante, dando tempo de sobra pra tirar as músicas e entrar no ritmo deles.

Sérgio - O engraçado é que o inverso aconteceu quando a música "Ana Júlia" foi gravada por aquele time de astros do rock. Quer dizer que o Ian Paice é que teve que tirar as suas levadas e viradas? Conta esta história.

Barba - Isso é incrível mesmo! O Jim Capaldi, baterista do Traffic, era casado com uma brasileira e estava aqui no Brasil na época que “Anna Julia” tocou na rádio. Lembro que ele chegou a comentar com o Marcelo que tinha gostado e ia gravar a música no disco dele. Um bom tempo depois ele apareceu com a gravação feita e não só o Ian Paice tinha tocado bateria, mas o Geoge Harrison e o Paul Weller também tinham participado. Demais. Coisa de maluco.

Sérgio - Além deste trabalho com o Canastra, o que mais tem feito?

Barba - Só tenho tocado com eles. Participei do disco novo do Dadi, gravei o último disco do Wander Wildner e do Latuya. Shows só com o Canastra.

Sérgio - Você também gravou uma participação no CD do Rodrigo Santos?

Barba - No CD do Rodrigo dos Santos ainda não gravamos, mas ele chamou o Canastra pra fazer uma música no próximo disco.

Sérgio - E o do Wander?

Barba - Já com o Wander nós gravamos no início do ano passado o disco que acabou de sair, o “La Cancion Inesperada”. Gravei todas as músicas junto com ele e com o Flu (baixista) aqui no Rio.

Sérgio - Voltando ao Los Hermanos, como você concebeu a levada da música "Samba a dois"?

Barba - Acho que ela é resultado da maneira como gosto de tocar e escutar bateria. Gosto de ficar o mais dentro possível da batida proposta pela guitarra ou pelo baixo, dependendo do que me chama mais atenção. Gosto de batidas repetidas, tipo mantra, onde um ciclo se repete infinitamente. E não sou um grande baterista de samba. Acho que foi essa união de estratégias para compor um arranjo que deu origem às levadas do LH, inclusive “Samba a Dois”.

Sérgio - Vamos agora voltar um pouco no tempo. O que te fez tocar bateria? Quais foram as suas primeiras influências e como foi o seu início de carreira?

Barba - Comecei de brincadeira. Tinha uns 12 anos e um amigo, o Flavio do Latuya, ia comprar uma guitarra. Aí comecei a tocar bateria. Era a  época do grunge. Escutei muito Pearl Jam, Nirvana e Soundgarden, sem contar que gostava muito de metal melódico e hard rock. Em casa meus pais sempre escutaram MPB e Rock dos anos 60 e 70. Mas minha primeira lembrança de ter prestado atenção na bateria e não na banda é de um especial do Free Jazz que passava de madrugada. Nesse dia em especial tava passando um show do quinteto do Tony Williams e sua bateria amarela de três surdos, até hoje vejo os shows dele dessa época e fico curtindo como se fosse a primeira vez.

Sérgio - E o futuro? O que está planejando?

Barba - Só quero poder continuar tocando e trabalhando no que gosto, sempre buscando novas experiências.