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Pular Links de NavegaçãoPágina Inicial » Entrevistas » Julio Figueroa (realizada em 22/08/2007)

Há mais de 14 anos morando e trabalhando nos Estados Unidos, Julio Figueroa carrega bem o “fardo” de ícone da bateria brasileira no exterior. Muito mais reconhecido e aclamado lá fora do que por aqui, ele não pára nunca, segue patrioticamente levantando a nossa bandeira ao redor do mundo, nos representando com o que temos de melhor, a música. Confira um pouco sobre a sua trajetória, recheada de sonhos, conquistas, frustrações e alegrias, com detalhes e segredos de uma carreira exemplar.

Qual a sua naturalidade? Uns dizem que você é o Argentino mais Brasileiro da Música, procede?
Não, as pessoas confundem. Nasci no Brasil, em São Paulo, nos arredores do bairro de Santana. Estudei no Colégio Saá. A minha mãe é brasileira e o meu pai é argentino. Ele conheceu a minha mãe no Brasil, enquanto passava por um período de exílio político. Um tempo depois, quando se instalou novamente e democracia na Argentina, o meu pai pôde voltar ao seu país de origem, e naturalmente nós o acompanhamos, eu tinha 15 anos nesta época. Acabei morando 9 anos na Argentina e de lá segui diretamente para Los Angeles.

Conte-nos um pouco do seu início. Com quantos anos começastes a tocar? Como foi o seu primeiro contato com o instrumento?
Comecei com bateria aos 14 anos, já adolescente, mas desde os meus 8 anos de idade, eu já havia me iniciado no mundo da percussão em escolas de Samba. Aos poucos e naturalmente, fui me interessando mais precisamente pela bateria. Com 16 anos participei da minha primeira Gig paga, assim sendo fiquei mais  motivado e decidi começar a estudar mais formalmente. Tinha descoberto que era isso que eu queria fazer da vida. Com o primeiro trabalho pago, me motivei a ir fundo na carreira. Aos 18 anos já entrei em turnê, viagens e muitos shows ao redor da América Latina.

Como foi a barra de enfrentar a sua família, na hora em que você decidiu assumir e ser músico profissional? Como se isso fosse assumir algum tipo de “anomalia”.
Por parte de mãe nunca tive muitos problemas, ela era pianista e entendia o meu lado de músico, tanto que até me pagava aulas de bateria sem o meu pai saber. O meu pai não admitia muito, tinha muito mais preconceito, ele queria que eu fosse advogado. Música era algo impensável, um estigma que remetia à sexo, drogas e rock n’roll. Ele resistiu muito, mas tudo foi superado e hoje ele acabou se tornando o meu fã numero um. Quando ele viu que o que eu pretendia iria dar pé, acabou gostando e hoje me apóia muito. No começo, até um tio meu, alemão, que era o mais difícil de todos, acabou me surpreendendo com a sua fácil aceitação, eu expliquei e ele entendeu, o mais difícil de me apoiar me apoiou, aos poucos fui conquistando a todos, e hoje fico feliz em ter feito a escolha certa.

Sobrou alguma mácula desse período, alguma mágoa por não terem acreditado no seu ideal? Como ficou o seu relacionamento com as pessoas que te jogaram pra trás no começo de carreira?
Magina, não rolam mágoas hoje em dia. Atualmente muitos dos meus familiares vão me ver tocar. Há alguns meses atrás toquei com o Diego Gonzales no Via Funchal, junto com a Turnê dos Rebeldes. Foi uma festa total, a família inteira no teatro, as sobrinhas super fãs do Diego e RDB tirando fotos em cima do palco, conhecendo o backstage, todo mundo aplaudindo muito, adorando e tirando fotos. Agora pra eles, me tornei herói nacional, é muito bonito ver o resultado de toda essa superação.

Qual é atualmente o seu trabalho principal? Aquele que garante o Donuts e o Bacon com Ovo de cada dia?
É o trabalho com o Grupo RDB e Diego Gonzales. Comecei o trabalho com o Grupo RBD em Janeiro de 2006, participei do DVD Acústico, no Teatro Pantejes. Estreiei com eles fazendo a abertura do Show no DVD, fiz um Stomp com a Lata de Lixo, algo mais teatral. A partir dessa participação, não entrei definitivamente para o grupo, continuei como diretor musical da Gloria Trevi na época (e continuo atualmente), porém aos poucos, acabei aprofundando o meu relacionamento com o grupo RDB. Passado um tempo, desde Dezembro de 2006 a proposta deles melhorou bastante, e acabei sendo convidado pelo mesmo grupo para tocar com Diego Gonzales, um jovem e talentoso ator da novela Rebeldes, que desde então começou a sua carreira como cantor Solo, e mantendo-se ligado tanto à novela, quando ao Grupo RDB. Hoje ocupo o cargo de Diretor Musical e Baterista do Diego Gonzales. Estamos diretamente ligados ao RDB. As turnês são sempre do Diego Gonzales e RDB. Ele estourou mundialmente desde o final do ano passado, muitos singles ao redor do mundo, tocando muito em todos os lugares, e desde então a turnê vem sendo um sucesso muito grande de público ao redor do mundo.

Como diretor musical, tudo se tornou mais interessante pra mim, porque fica bem dentro do meu plano atual que é expandir o meu trabalho com a minha companhia que se chama JulFig Music, na qual eu faço Direção Musical,  Produção e Estúdio de Gravação. Venho aos poucos diminuindo um pouco a minha ocupação como sideman para me dedicar mais à Direção e Produção Musical. Assim como com o Diego, há alguns anos venho fazendo o mesmo trabalho com a Glória Trevi, Samuel Hernandez (do meio Gospel) e alguns outros, ou seja, sempre estou encaixando o meu lado Produtor e Diretor em todos os meus trabalhos atuais. Assim começo a visualizar a vida de uma outra maneira, não só fazendo viagem e turnê como baterista, mas pensando em algo maior e melhor, visando estabilidade financeira e profissional, beneficiando principalmente a minha família no futuro.

Mesmo estando hoje em dia em um nível altamente profissional, em todos os seus trabalhos e produções, ainda acontece algum tipo de roubada nos shows? Como tocar em som meia-boca, bateria estragada, etc. Roubadas que passamos no início de carreira, e muitas vezes ainda acontece muito, principalmente no Brasil.
Hoje em dia, com o RDB, não corremos este risco. Atualmente contamos com uma produção top em todos os sentidos, o RDB sempre viaja com muita qualidade. Tenho suporte da DW em qualquer lugar que eu vá ao redor do mundo, com um técnico só para bateria, o competente amigo Chamare. Sem problemas, a estrutura como um todo é nota 10. 

 

Vimos há instantes aqui na sua casa, um estúdio novinho em folha, muito belo por sinal, meus parabéns. Quais são os planos agora para este novo estúdio. O que pensas em fazer com ele daqui pra frente?

A idéia principal é gravar Bateria e Percussão para outros artistas, gravarei tudo aqui, e mandarei tudo prontinho, com a minha parte gravada. Essa forma de envio e recebimento das gravações, será feito de maneira eletrônica, como um Online Recording, gravação via internet. Também quero fazer com o estúdio as minhas produções para o meio Gospel. Atualmente estou associado com uma companhia de discos, chamada Discos Pampa, aonde estamos produzindo muitas coisas legais para o mercado Evangélico, assim poderei fazer as produções aqui, não precisando alugar estúdios fora, consigo um conforto maior e flexibilidade para trabalhar. Barateio assim a produção, e consigo um resultado final ainda mais legal e minucioso nos detalhes. Devo continuar aqui no meu estúdio, os projetos que já venho fazendo no meio Gospel, como por exemplo, Edwin Maldonado, um dos mais aclamados cantores Gospel da atualidade nos EUA e Latin America. Cada vez mais quero estar envolvido nesse lance de produção e direção musical, que é o meu maior foco daqui pra frente.

Os Brasileiros poderão vir gravar contigo aqui nos EUA?
Claro, com certeza! As portas estão abertas a todos os meus irmãos brasileiros. Tanto que estou querendo produzir e gravar, o CD de uma cantora Gospel brasileira, chamada Keyla Alencar, que foi recentemente um dos destaques do programa Raul Gil.  Todos os estilos, cantores e bandas serão muito bem vindos, sem problemas, sem preconceito, pelo contrário, aqui o que está em pauta é a música como um todo, qualquer estilo e segmento musical será muito bem vindo aqui.

O Custo para a produção e gravação de um disco aqui nos Estados Unidos, usando um sistema parecido com o seu, é viável, compensa em relação ao Brasil?
Para uma boa e completa produção, eu diria que aqui o custo é próximo ou até menor. Veja que estamos falando de uma boa produção, com mais de 150 horas de gravação, contando com mixagem e masterização.

A partir do momento que eu abrí o meu estúdio, o custo geral caiu bastante. O fato de não precisar contratar outro estúdio para fazer o trabalho, economiza demais no valor final do projeto.

Um estúdio nos moldes do teu, estará apto a realizar um trabalho ao nível de qualquer estúdio maior? Pronto para tocar bem em qualquer veículo de comunicação?
Hoje em dia, com os menores estúdios muito bem adaptados às altas tecnologias, conseguiremos fazer um trabalho digno de uma super produção mais facilmente. Afinal, a parte de mixagem e masterização é sempre feita separadamente, em outro local. Aqui podemos fazer toda a parte de pré-produção e gravação (guitarra, bateria, baixo, vozes, etc). Como eu disse, com a tecnologia de hoje, em pequenos espaços, conseguimos contar com o melhor em ProTools, Prés e equipamentos em geral para a captação e gravação. Claro que também é muito importante instrumentos de nível top.

Em relação à mixagem, eu não pretendo fazer. Eu tenho mixado os meus discos com Sérgio Ponzo, produtor Italiano, engenheiro de mixagem da Jéssica Simpson, Pink e outra grande galera, então faço muita mixagem com ele, e levo para fazer a masterização na Capitol Records, um dos estúdios mais lendários de todos os tempos, dispensa apresentações.

Eu sempre penso em masterizar com quem tem que masterizar e mixar com quem tem que mixar. Engenheiro de mixagem é algo muito complicado, o ouvido dele enquanto engenheiro de mixagem é como o meu para a bateria, não tem como comparar, a visão é outra, tem que ser com quem realmente conhece e é especializado, assim como deve ser o processo de Masterização e Gravação.

Para um artista solo, ou até banda, há a possibilidade de gravar com você, envolvendo também outros grandes feras da música mundial?
Sem dúvidas, estamos na panelinha do bem (risos). Recentemente eu fiz um trabalho com uma grande cantora mexicana que se chama Nydia Rojas, eu contratei os músicos para esse trabalho, e participei também da gravação. Neste trabalho pude contar com grandes e bons amigos como Vinnie Colaiuta, Gregg Bisonnette, Luis Conte, Abraham Laboriel, entre outros. Tenho essa vantagem de trazer esses amigos para os projetos que eu faço. Não quero fazer tudo sozinho, tenho o máximo prazer em trabalhar e dividir com esses amigos. Não tenho preferência de fazer apenas o que gosto mais. Penso sempre na música, no trabalho como um todo que é o mais importante. Se eu sou produtor, vou fazer o melhor como produtor, se estou apenas como baterista, faço o melhor como baterista, se eu me sinto o mais qualificado para gravar bateria naquele projeto, eu gravo, se eu vejo que é uma onda mais Jazz, eu vejo a oportunidade e trago uma pessoa mais indicada para fazer o melhor para isso, como Peter Erskine. Não tem esse lance de ego, o importante é sempre a música, o cara certo para cada função.

Conte-nos um pouco dos feras que você tocou.
Uma das grandes vantagens que consigo na minha carreira de percussionista e baterista, é sempre tocar com grandes bateristas e grandes percussionistas. Como percussionista, tive a bênção de tocar com feras como Steve Ferrone, Alex Acuña, Sheila E., Vinnie Colaiuta, Gregg Bisonette, Horacio El Negro Hernandez e muitos outros grandes mestres. Já como baterista, trabalhei com Luis Conte, Richie Garcia, Michito Sanchez, entre outros. Ser baterista e percussionista me abre um leque de trabalho ainda mais amplo.

Como os americanos vêem o cenário musical brasileiro hoje em dia? O que aparece por aqui que eles mais gostam e dão valor?
Aqui, com o fato de eu não ser latino de país hispânico, já consigo uma boa vantagem. Pela Música Popular Brasileira, eles têm um maior respeito e consideração. Pelo que é o Samba, o Frevo, o Baião e todos os nossos ritmos, há um maior carinho e respeito pelo músico brasileiro, graças ao poder e riqueza do nosso ritmo. E também pelo Rock Brasileiro, que teve uma grande explosão mundial com grandes grupos como Sepultura, que atravessou fronteiras. Vários outros grandes bateras são muito aclamados por aqui, como, Airto Moreira, os saudosos Dom Um Romão e Edison Machado, Milton Banana, Chico Batera que morou um tempo aqui, e tantos outros grandes mestres da Música Popular Brasileira. Estes são alguns dos exemplos de brasileiros que tiveram grande destaque fazendo também outro tipo de música, que não só a brasileira, mas sim misturar o nosso tempero aos outros estilos como o Jazz e o Blues. Há um grande respeito a favor do baterista e percussionista brasileiro, tocando música americana, mas sem querer soar como americano.

A impressão que nos dá, é que carregamos um pouco mais de finesse, de mística musical no que fazemos, concorda?
Com certeza, a riqueza da música brasileira é muito bem reconhecida no mundo todo, tanto quanto ou até mais que o nosso futebol. Veja quantos ritmos temos no Brasil?! Uma infinidade de estilos e ritmos, de culturas, de segmentos, etc Graças à Deus somos muito abençoados por isto. Felizmente para nós, temos uma fineza maior na música como um todo. Na mesma cultura há uma grande diferença rítmica. O Samba soa muito diferente do Baião ou do Maracatu, do Xote, e por aí vai, tudo é bem característico e peculiar. Não necessariamente por tocar bem um Baião você estará apto a tocar muito bem um Afoxé, não temos uma grande correlação nos ritmos de nossas músicas, como se encontra nos ritmos mais caribenhos.

Qual o trabalho que você fez, que mais lhe orgulha? Àquele que você se lembra até hoje com muita alegria e saudade?
Ah foram alguns muitos bons! Os melhores trabalhos foram de fato em gravações, Michael Jackson, BB King, José Feliciano, Gipsy Kings, entre outros. Apesar dos pesares, de tudo o que rolou, justa ou injustamente na sua vida, trabalhar com Michael Jackson foi um grande orgulho, é realmente um grande artista, foi um dos meus heróis na adolescência. Assim como o BB King! Logo após receber o telefonema dele me convidando para gravar, eu chorei de emoção, nunca mais esqueço! Tocar na igreja também é uma grande emoção pra mim, me renova, faz-me sentir mais justo. Poder cooperar com tudo de bom que Deus me proporciona, não considero um pagamento, mas uma renovação e uma afirmação da minha amizade com ele, como uma linda dívida de gratidão que é fazer música pra Jesus.

Como anda o Mercado de Trabalho aqui nos Estados Unidos, para músicos como você?
Está um pouco complicado, tem muita gente não agüentando e indo embora. A economia não está tão legal como há alguns anos, tudo está muito caro por aqui, viver aqui é muito caro! Não estamos com muitos e bons trabalhos para se fazer na noite. Há uma recessão geral, mais por culpa da economia, tudo diminuiu como um todo. Com a queda geral na venda dos discos, as famílias não estão com tanto dinheiro para consumir shows, discos, etc... Acho que é um fenômeno mundial, mas nada que impeça o crescimento de quem trabalha com muita fé, competência e perseverança, sendo inteligente e buscando outras vias de trabalho dentro da música, não se limitando a ser apenas baterista, mas buscando novas vertentes dentro deste mesmo meio de trabalho. Se você vier pra cá só pra ser baterista, realmente vai ser bem mais difícil, mas se for percussionista também, há mais uma carta na manga, se for produtor, mais outra e por aí vai. Fora o visto de trabalho, que hoje em dia é praticamente impossível de se conseguir. Mas quem tem muita perseverança e fé, pode conseguir, não quero desmotivar ninguém, só passar a realidade.

Você se lembra de algum mico, que você pagou em algum trabalho por aqui?
Sim, tenho um muito bom. Um amigo meu, Kurt, percussionista do Cirque du Soleil e do Paul Anka, me indicou para um trabalho. “Pô Julio, estou precisando de um substituto para o trabalho que não poderei fazer o Festival de Jazz de Long Beach”. Eu prontamente aceitei o trabalho. Fui bem cedo, chegando lá, antes de todo mundo, eu já estava com a batera toda montada e estruturada para o show. Já me senti com àquele ar de início de trabalho perfeito, antes da hora, tudo certinho e pronto. Chegando ao momento pouco antes do show, o diretor musical veio até mim e perguntou quem eu era. Eu me apresentei como substituto do Kurt, ele me cumprimentou e disse: “Muito prazer! Avise pro baterista que montou àquela bateria alí para desmontá-la, e você montar logo os Timbales, pois estamos atrasados!”. E eu, hãnnn?! Mas a bateria é minha, trouxe para fazer o serviço. Resumindo, o cara não queria bateria, pediu percussão ao Kurt para fazer o trabalho com um grupo de Salsa. Deveríamos usar congas, bongô e timbale. Eu havia esquecido de perguntar ao meu amigo, se eu tocaria batera ou percussa, tive que tocar da maneira tensa e ridícula, paguei um belo mico! Se você é baterista e percussionista, nunca se esqueça de perguntar qual instrumento que irá tocar. Agora pergunto 3, 4 vezes o que vou tocar, risos.

Tens alguma fofoquinha de algum artista famoso, que tenha lhe passado uma imagem negativa?
Tive pouca experiências assim, mas veja o exemplo. Quando trabalhei com o Andrea Bocceli, ele era um amor, me abraçava, falava do Brasil, todo feliz, humilde, alegre a atencioso. Era o Bocceli, que dispensa comentários, elogios e apresentações, realmente alguém em outro patamar. Um dia tive a oportunidade de trabalhar com o Babyface, quando fui cumprimentá-lo, falar que eu era fã dele, que tive o prazer em fazer um trabalho para ele, o cara me cortou na hora falando que não tinha muito tempo pra conversar, virou as costas e saiu. Mas sem ressentimentos, ele devia estar meio estressado naquele dia, ou com muita pressa, é normal mas isso me chamou a atenção negativamente.

Quais os seus Endorsements hoje?
Baterias DW, Pratos Meinl, Peles Remo, Microfones Audix, Baquetas Regal Tip, Percussão Gon Bops, PowerClick, Esteiras Puresound  e Roland.

Como funciona nos EUA, o relacionamento entre patrocinador e patrocinado, fabricante e artista? Aqui limita-se apenas a ganhar para aparecer com o produto, ou rola algo mais profundo dentro da marca?
Sempre estou trabalhando e dando alguns palpites como consultor para a DW. Tento sempre me envolver com intercâmbio de informações e idéias para as minhas marcas. Sempre testamos os produtos antes, pesquisamos, damos sugestões e ajudamos um bocado no desenvolvimento dos mesmos.

Aqui existe o tipo de Endorsee que pega a marca só para ganhar algo "de graça?" Fazendo coisas que você sabe, mas que não quero citar para não ofender ninguém diretamente?
Por aqui não vejo muito não, afinal endorsement de verdade, quando não se é um Colaiuta, Chambers, Weckl e poucos outros, não é de graça, ao contrário de como muitos imaginam. Tudo é pago, você ganha descontos para comprar os produtos diretamente com a marca, depois aos poucos, conforme for o seu envolvimento com a mesma, isso pode melhorar. Mais da metade do que você vê na TV, não é presente de Papai Noel. Tem também o lance da integridade de cada um. Eu não uso nada que eu não gosto, não vou fechar com uma marca só para aparecer na propaganda, fazer clínicas, etc. Todas as marcas que me apóiam são as que tenho realmente prazer em usar, e mais do que isso, que eu já usava mesmo antes de estar mais relacionado com eles. Sempre usei Remo e sempre gostei da DW, por isso quando pintou a oportunidade abracei a idéia. Não aceitei sair da Regal Tip, mesmo tendo uma proposta um pouco melhor da VicFirth, e por aí vai. Graças a Deus recebo boas ofertas regularmente, de outras grandes e boas marcas de produtos para bateria, mas não abro mão do que tenho hoje, pois de fato são atualmente as marcas e produtos que eu mais gosto. Amanhã ou depois isso pode mudar, posso estar em outra marca, mas com certeza será acima de tudo pelo produto, pelo que faz o meu som e não por interesses superficiais.

Deixe um Recado para os bateristas iniciantes e iniciados, também para os experientes frustrados, que atéo competentes, mas sem ética profissional e humildade.
Eu acho que o problema maior que temos nessa fase da humanidade, é não se contentar com o que somos, com o que temos, e querer ser o que não somos. Vejo isso como o maior problema dos iniciantes e também em muitos profissionais. Acabamos esquecendo que fomos feitos únicos, tal qual uma impressão digital. É importante sabermos que Deus nos criou com um propósito, que ninguém além de nós poderá cumpri-lo. O lance é tentar entender qual o propósito de Deus na nossa vida, buscar entender e aceitar isso, não querer ir ao contrário, e assim buscar natural fluidez da nossa vida, que só existe quando achamos o propósito de Deus e do destino em nosso caminhar. Só assim as coisas aconteceram pra mim. Não adianta o cara querer ser o novo Weckl, Tomas Lang ou o Marco Minnemann, se o propósito na vida dele é ser apenas ele mesmo e aceitar isso. Jamais buscar não evoluir, lutar, trabalhar, estudar, etc... mas  sim buscar ser o melhor de você mesmo, e naturalmente você acabará sendo algo totalmente novo e diferente, tão bom quanto qualquer outro, mas com a sua cara.

Talvez você não seja do tamanho e da magnitude que você espera de si mesmo, mas sempre será perfeito para a vontade de Deus. Um dos maiores problemas que existem hoje, é a falta de fé e isso causa um conflito grande, dentro da vida da pessoa, fazendo com que a mesma não consiga ter um bom discernimento sobre qual o caminho a seguir, com isso indo ao 'lugar nenhum’. A arrogância acaba com o talento, o brilho e a possibilidade de bons trabalhos e relacionamentos. Simplesmente velocidade ou um rulo violento, não pagam a conta, não sustentam o filho nem esposa, e por aí vai. Não é só o talento, mas sim o comportamento social e humano, que são tão importantes ou até mais do que puramente uma técnica bem afiada. Se liguem, nunca é tarde ou muita idade para evoluirmos de verdade!

Um grande abraço para o meu amado Brasil, deixe-me correr, estou atrasado para o Churrasco do aniversário da minha amada esposa! Fui!

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http://www.youtube.com/watch?v=zv52T1Lga5s
http://www.youtube.com/watch?v=AJmrMlZcgTc
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